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É singular a presença
de Itaporanga, berço do partido
Conservador, na vida política de
Sergipe. É preciso registrar a
atuação do brigadeiro Domingos Dias
Coelho e Melo, que seria mais tarde
o Barão de Itaporanga, e do chefe da
polícia da cidade, Antônio Dias
Coelho e Melo, o futuro Barão de
Estância. Os Conservadores ou
Rapinas dominaram a política de
Sergipe por 16 anos.Em 10 de maio de
1938, através de Lei 387, a vila
passa a ser cidade apenas com o nome
de Itaporanga. Mas em 1944,
estudiosos descobriram que o nome da
cidade estava contrariando a
legislação federal que proibia a
duplicidade dos nomes das cidades.
Naquele ano, Itaporanga passou a se
chamar Irapiranga. Todavia,
Irapiranga durou pouco. Em 1º de
janeiro de 1949, uma lei estadual
transformou o nome do município para
Itaporanga d’Ajuda. Em julho de
1950, a cidade tinha cerca de 12 mil
habitantes. Com a decadência da
cana-de-açúcar e do gado, Itaporanga
d’Ajuda se dedicou à cultura do
coco. |
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A luta pelo
encapelado
A disputa pelo
patrimônio religioso de Itaporanga
teve início com a morte do último
administrador ‘legítimo’ da capela
de Nossa Senhora da Ajuda, Temóteo
de Sá Souto Maior. Como seus
herdeiros não podiam assumir o cargo
de administrador (mulher e pessoa
menor de idade, de acordo com a
instituição jurídica estavam isentos
de tais tarefas) assume então
Domingos Dias Coelho e Melo, um
cidadão que havia alugado o engenho
Itaporanga.O patrimônio religioso de
Nossa Senhora da Ajuda (o
encapelado) era um apêndice (parte)
do engenho, e só poderia
administrá-lo o filho varão mais
velho da família. O encapelado era
constituído por terras, alfaias
(objetos de culto religioso,
geralmente de ouro) a capela da
santa junto com a imagem e
dinheiro.Depois que o herdeiro de
Temóteo, Barnabé de Sá Souto Maior,
assume a maior idade, impetra ação
judicial solicitando, como herdeiro
natural, o direito de posse do
patrimônio. Essa disputa judicial
entre as famílias Souto Maior e Dias
Coelho e Melo se arrastou por mais
de 30 anos.Na verdade, o que estava
por trás dessa disputa era o
interesse pelas terras da imagem
para ampliar o cultivo da
cana-de-açúcar na região do Vale do
Vaza-Barris.
História
de Minha Infância
Gilberto Amado, um
dos maiores intelectuais sergipanos,
escreveu ‘História da Minha
Infância’ que conta um pouco de sua
vida em Estância e Itaporanga d’Ajuda.
A seguir, alguns trechos do seu
livro sobre Itaporanga, publicado
pela editora da UFS, com o apoio da
Fundação Oviêdo Teixeira:
“A mudança para
Itaporanga, o carro de boi de
esteiras, ...Chegamos à meia-noite.
O cheiro de carne-seca e de bacalhau
do armazém, que era na frente da
casa, invadia-nos o nariz...
Estância cheirava a açúcar. Em
Itaporanga, o negro, o moleque,
marcavam a fronte da paisagem,
formavam o cílio escuro da
fisionomia do lugar...”
“Na sala atijolada,
três bancos encostados às paredes.
Bancos altos. Os meninos, em sua
maioria, ficavam com as pernas no
ar. Depois da minha entrada, puseram
mais dois bancos. Na parede do
fundo, encostava-se dona Olímpia, Sá
Limpa para toda Itaporanga. Era
hidrópica, barriga imensa, um baú,
impando diante dela como o bombo da
Filarmônica Itaporanguense...”
“Em matéria de
atividade musical, Itaporanga
limitava-se a canto de pássaros,
rumorejar de folhas, gemer de carro
de boi, mugido, ranger de moendas,
orquestra de sapos... A filarmônica
de Itaporanga só se criou depois da
primeira viagem de meu pai ao Rio,
de onde trouxe instrumentos de metal
e de sopro. Para regente, mandou
buscar na Estância nosso primo, o
entalhador e maestro Joãozinho
Almeida... Mas a obra maior de meu
pai no terreno ‘artístico’ foi a
criação do teatro. Baltazar Góis,
professor e poeta, e Manuel dos
Passos de Oliveira Teles, juiz e
poeta que tinha sido discípulo de
Tobias Barreto, vinham a Itaporanga
para as representações...”
Felisbello Freire:
orgulho de Sergipe
Um dos maiores, senão
o maior político e intelectual de
Sergipe, Felisbello Firmo de
Oliveira Freire, é um orgulho de
Itaporanga d’Ajuda. Ele nasceu em 30
de janeiro de 1858 e morreu no Rio
de Janeiro (Capital Federal) em 7 de
maio de 1916. Foi um brilhante
estudante da primeira turma do
Colégio Atheneu Sergipense.
Formou-se em Medicina na Bahia e
depois voltou a Sergipe, indo
trabalhar como clínico geral em
Laranjeiras.
Era um defensor
intransigente do abolicionismo e
defendia a Democracia. Fantástico
jornalista, organizou o Partido
Republicano e foi um dos
responsáveis pela instituição da
República no Brasil. Em 21 de
novembro de 1898 foi nomeado como
primeiro governador de Sergipe no
novo regime. Ficou no cargo até 17
de agosto de 1890. Criou o serviço
público. Depois foi eleito deputado
à Assembléia Constituinte e fez a
reorganização dos Estados. Foi
reeleito deputado por cinco vezes.
Sua capacidade era
tanta que foi nomeado como ministro
da Fazenda e como secretário de
Negócios Exteriores. Era músico
esforçado. Chegava a fazer concertos
e saraus. Foi um excelente
historiador. Trabalhou como redator
de “O Porvir”, “O Horizonte”, “O
Republicano”, “Jornal do Brasil”,
“Gazeta da Tarde”, “Folha da Noite”
e de vários outros. Entre as
principais obras estão: “História
Constitucional da República dos
Estados Unidos do Brasil”, “História
da Cidade do Rio de Janeiro de 1500
a 1900”, “História Territorial
Brasileira”, “História de Sergipe”,
etc.
Outros grandes nomes
nascidos em Itaporanga d’Ajuda são
os professores e grandes
intelectuais Baltazar de Araújo Góis
e Genolino Amado, além de Antônio
Dias Coelho e Melo, o Barão de
Estância. |